segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Salsichão e a azeitona


Encontraram-se o salsichão e a azeitona. Ele viu uma musa verdinha, novinha, ainda com aquela redondeza infantil; já lhe tinham dito que era muita comida para o seu salsichão, mas ele dizia: — Nunca ouviram a Lei de Newton? Os opostos se atraem!... E assim, a sua auto-estima subia ao máximo.
Estavam dentro de uma geladeira, numa temperatura média de congelamento. O clima vibrava entre os dois. A azeitoninha nunca havia visto um salsichão tão enorme e protuberante.
Foi então que ele tomou a iniciativa, aproximou-se e deu-lhe uma lambidela. Ao sentir a sua lambidinha, ela não se conteve: liberou o seu desejo contido, mordiscou-o todinho, até ao ponto de deixá-lo todo marcado. Depois, provou daquela crosta bem vermelhinha, arrancando um bocadinho da pele sedosa e lisinha, fazendo-o gritar de deleite. Quando estavam no ápice da união, foram interrompidos por um barulho. Olhando para o lado, viram um grande palito troncudo. Era tão robusto, que nem parecia um palito de churrasco, parecia mesmo era com um galho de arbusto.
O palitão, todo animado, mandou que eles continuassem o idílio e disse para que não ficassem tensos, pois ele adorava penetrar em carnes. O salsichão, sentindo esta alfinetada, ficou azul, já que percebera que uma coisa grossa queria nele penetrar. Neste instante, a porta da geladeira se abria. Avistaram um homem. Era Seu Albertino que abria a porta de sua geladeira. Vendo aquele palito agigantado, um salsichão e uma azeitona, achou esquisito, pois não se lembrava de ter colocado o palito ali. Pegou o palito, jogou-o no lixo, fechando a porta da geladeira. Porém, mudando repentinamente de idéia, abriu outra vez a sua Brastemp.
O casal vê uma mão vindo em sua direção. Abraçam-se e beijam, sofregamente. A hora deles havia chegado. Vão felizes. Nunca mais serão separados. Seu Albertino tratará de uní-los para sempre, tornando-os uma só carne: comeu o salsichão e a azeitona. Que bendito aperitivo!